Como é que o Álcool Danifica o Fígado? PDF Imprimir e-mail
Escrito por Web master   
16-Nov-2007

Actualmente não sabemos como é que o álcool causa cirrose, no entanto há muitos mecanismos pelos quais o álcool prejudica o fígado. Muitos destes mecanismos estão mal compreendidos, em parte porque nenhum modelo animal simples foi desenvolvido para a cirrose. Além disso, há uma variação considerável entre indivíduos mais susceptíveis à doença alcoólica hepática, dado que apenas algumas pessoas que bebem quantidades similares desenvolvem cirrose.

Dieta. Antes de 1970, pensava-se que a cirrose alcoólica surgia devido a deficiências nutritivas comuns entre as pessoas que consumiam excessivamente álcool. Evidências esclarecedoras provaram consequentemente que o próprio álcool é tóxico para o fígado, mesmo quando a nutrição é adequada. Hoje acredita-se que os efeitos nutritivos e a toxicidade directa do álcool interagem de um modo tão complexo, que a influência de ambos não pode ser separada.

Genética. As diferenças genéticas poderiam explicar porque razão algumas pessoas que consomem álcool excessivamente desenvolvem cirrose, enquanto outras não. O tecido da cicatriz que se forma no fígado cirrótico é composto por colagénio. Tem sido sugerido que a estimulação da síntese de colagénio, resultante da activação do gene de colagénio, pode promover a cicatriz hepática. Nesse caso, poderia ser especulado que diferenças nos genes de colagénio entre consumidores individuais, poderiam ser associados a diferenças no desenvolvimento de cirrose alcoólica.

Radicais livres e acetaldeído. Acredita-se que muitos dos danos celulares que ocorrem durante a degeneração do fígado são causados por radicais livres, fragmentos moleculares altamente reactivos, libertados durante o metabolismo do álcool. Os danos causados pelos radicais livres podem incluir a destruição de componentes essenciais das membranas celulares. As defesas naturais da célula contra os radicais livres incluem alguns componentes das substâncias químicas naturais (GSH) e a vitamina E. Contudo, a função de GSH e da vitamina E é danificada nos alcoólicos.

O acetaldeído, produto preliminar metabólico do álcool no fígado, parece ser um gerador chave de radicais livres. Por causa da sua reactividade, o acetaldeído pode promover os danos da membrana e pode estimular a síntese de colagénio para formar cicarizes no tecido hepático.

Hepatite não alcoólica. O aumento da prevalência da infecção viral de hepatite C em alcoólicos poderia explicar alguma da variação na susceptibilidade individual à doença alcoólica hepática. Além disso, a infecção crónica de hepatite C está significativamente correlacionada com a severidade da cirrose alcoólica e pode influenciar a progressão da doença alcoólica hepática em alguns doentes.

O sistema imunitário. O sistema imunitário responde ou contribui de maneira complexa para a danificação das células hepáticas em caso de doença alcoólica hepática, embora a relação causal não esteja determinada. Tem vindo a ser demonstrado que o acetaldeído se acopla quimicamente às proteínas hepáticas, sendo que estas proteínas alteradas podem assim activar várias respostas imunitárias. As toxinas celulares são libertadas, causando danos nas células; determinadas proteínas são depositadas ao longo dos vasos sanguíneos hepáticos e são activados glóbulos brancos específicos.

Metabolismo hepático. Tem-se provado que a administração crónica do álcool aumenta a taxa de oxigénio metabolizado pelo fígado. Além disso, alguns estudos demonstraram similaridades entre efeitos do álcool e as hormonas de tiróide em células hepáticas. Os cientistas chamaram a estes efeitos o “fígado em estado hipermetabólico.” Em consequência destes estudos, a droga usada para tratar a produção excessiva das hormonas de tiróide, foi testada para o tratamento da doença alcoólica hepática (veja o Tratamento).

Factores ambientais. O consumo crónico do álcool aumenta notavelmente a toxicidade do fígado para vários solventes industriais, anestésicos, medicamentos, e vitaminas. Por exemplo, existem analgésicos que são geralmente seguros quando administrados em doses recomendadas. Contudo, o seu uso excessivo tem sido associado com a toxicidade do fígado nas pessoas que bebem excessivamente. O álcool também aumenta a toxicidade da vitamina A em excesso, assim sendo deverá ser tomada uma precaução acrescida ao tratar um alcoólico com uma deficiência em vitamina A. 

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Fígado com cirrose


Fonte: http://www.niaa.nih.gov/

Actualizado em ( 16-Nov-2007 )
 
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